Mãe que perdeu filhos envenenados por ovo de Páscoa no MA ainda tenta recomeçar um ano após tragédia: 'Ficou um vazio'

  • 22/04/2026

Acusada de envenenar ovo de Páscoa no MA ainda não foi julgada um ano após crime Entre a saudade e a dor irreparável pela perda brutal dos filhos, Mirian Lira, de 37 anos, tenta recomeçar aos poucos um ano após a tragédia que transformou para sempre a sua vida. Ela foi uma das três vítimas de envenenamento provocado por um ovo de Páscoa, em Imperatriz (MA). Os dois filhos dela, de 7 e 13 anos, morreram em decorrência de complicações causadas pelo veneno. 📲 Clique aqui e se inscreva no canal do g1 Maranhão no WhatsApp Um ano após o caso que chocou o país, a história que parecia ter um desfecho rápido ainda apresenta uma lacuna. Jordélia Pereira Barbosa, acusada pelo Ministério Público do Maranhão de envenenar a família, ainda não foi julgada, após manobras feitas pela defesa. ENVENENAMENTO POR OVO DE PÁSCOA: Veja a cronologia do crime Um ano após morte de crianças por ovo de Páscoa envenenado no MA, acusada do crime ainda não foi julgada Em um novo endereço, desta vez em Palmas (TO), longe do cenário da tragédia, Mirian tenta recomeçar, ainda marcada pelo luto e pela ausência dos filhos Luís Fernando, de 7 anos, e Evelyn Fernanda, de 13, que morreram em decorrência de complicações causadas pelo envenenamento. Em entrevista ao g1, Mirian afirma que, um ano após a morte das crianças, ainda não consegue aceitar a perda precoce e descreve o impacto da ausência dos filhos no cotidiano. “Minha vida era eu e eles. Depois do que aconteceu, ficou um vazio. Até hoje eu não consigo aceitar. Quando olho as fotos e os vídeos, parece mentira, como se a qualquer momento eu fosse acordar de um pesadelo. É bem difícil. A gente fala que o momento da notícia é muito chocante, mas o dia a dia é muito mais difícil”, conta Mirian. Mirian Lira e seus dois filhos foram vítimas de envenenamento Arquivo pessoal As duas crianças comeram, junto com a mãe, o ovo de Páscoa que havia sido enviado a ela por meio de um entregador. Logo depois, ela recebeu a ligação de uma mulher não identificada, que perguntou se o doce havia sido recebido. Horas após ingerirem o chocolate, todos começaram a passar mal. Na época, Mirian tinha um relacionamento com o ex-marido de Jordélia Pereira Barbosa, apontada pelo Ministério Público do Maranhão como autora do crime. Segundo a Polícia Civil, o relacionamento teria motivado o envenenamento, já que a suspeita estaria com ciúmes e queria se vingar do ex-companheiro. Mirian Lira conta que conhecia o ex-namorado desde a juventude e que os dois haviam retomado o contato cerca de seis meses antes da tragédia. Ela afirma que, ao receber o doce, acreditou que o presente havia sido enviado por ele, já que já havia recebido chocolates dele em outras ocasiões. “Como ele já tinha me dado antes e a gente estava junto há pouco tempo, eu achei, sinceramente, que tinha sido ele que mandou. Tanto que, quando a gente comeu, eu até separei um pouco para a minha mãe e para o marido dela, porque eu tinha certeza de que era dele”, relembra. Ovo supostamente envenenado foi entregue com uma mensagem de 'Feliz Páscoa', segundo o pai da vítima Divulgação/Polícia Civil Contato que não levantou suspeitas Segundo Mirian, Jordélia Pereira Barbosa chegou a procurá-la uma vez por meio de um perfil em uma rede social, logo após o início do relacionamento com o ex-marido da acusada. Nas mensagens, ela dizia ainda ter esperanças de reatar o relacionamento e que “Deus iria cobrar dela”. Mesmo diante das mensagens, Mirian afirma que não percebeu ameaça e, por não ter contato direto com a suspeita, não imaginou que os ovos de Páscoa envenenados com chumbinho pudessem ter sido enviados por ela. “Quando ela entrou em contato comigo pela rede social, dizia que tinha esperança de voltar com ele, mesmo após dois anos de separação. Ela falava que ‘Deus ia cobrar de mim’, mas em nenhum momento entendi como ameaça, já que nunca tive contato pessoal com ela”, relata. Jordélia Pereira Barbosa, de 35 anos, foi presa por suspeita de envenenar ovo de Páscoa no Maranhão Reprodução/Redes Sociais A dor de não se despedir Luís Fernando, de 7 anos, foi o primeiro a passar mal após comer o ovo de Páscoa. Ao levá-lo ao Hospital Municipal de Imperatriz, Mirian também começou a se sentir mal e foi internada na mesma unidade, onde foi entubada e permaneceu desacordada por dois dias. Durante esse período, Evelyn Fernanda, de 13 anos, também deu entrada no hospital em estado grave. Por conta das complicações causadas pelo envenenamento, Luís Fernando não resistiu e morreu. A mãe só soube da morte do filho — descrito como carinhoso e alegre, após acordar do coma induzido, quando ele já havia sido sepultado. Evelyn ainda permaneceu internada por alguns dias, mas também não resistiu. Mesmo debilitada, Mirian conseguiu autorização médica para comparecer ao enterro da filha. Ela lembra que a menina era inteligente, companheira e sempre ajudava a cuidar do irmão. “O Luís era alegre e cheio de vida. Não parava quieto e inteligente. Era aquele filho que ficava o tempo todo agarrado, me beijando. Se eu saísse na rua, encontrasse uma florzinha ele trazia e me dava. Já a Evelyn além de filha, a minha companheira. Nós éramos muito amigas e unidas. A gente conversava sobre tudo, não tinha nenhum tabu. Meus filhos eram muitos especiais e únicos”, relembra. Luís Fernando e Evelyn Fernanda morreram em decorrência do envenenamento Arquivo pessoal Um ano após a morte dos filhos, Mirian afirma que a dor por não ter conseguido se despedir de um deles ainda é intensa. Ela também diz que, mesmo diante das provas, ainda tenta entender o que teria motivado o crime. “A gente não quer acreditar. O que vem é o ‘por quê’. Por que tanta maldade? Por que alguém toma uma decisão dessa, sendo que a gente não tinha nada contra ela, nem meus filhos? Não havia nenhum tipo de inimizade. É muito difícil de acreditar. É uma mistura de dor, raiva e revolta”, desabafa. Suspeita usou disfarces para comprar ovo de Páscoa Suspeita de envenenar ovo de Páscoa se disfarçou para comprar chocolate em loja Para tentar encobrir os rastros do crime, Jordélia Pereira Barbosa se disfarçou para comprar o ovo de chocolate e usou até um nome falso para se registrar no hotel onde ficou hospedada em Imperatriz (MA). Imagens de câmeras de segurança de uma loja mostraram Jordélia comprando o chocolate. Segundo a Polícia Civil, na época, ela disfarçou para não ser identificada. Após ter sido presa, ela confessou ter comprado o ovo, mas negou ter colocado veneno. Além disso, a suspeita ainda disse que era mulher trans e apresentou crachá falso para conseguir fazer o cadastro no hotel onde ficou hospedada na cidade. Jordélia Pereira usou um crachá em que havia uma foto dela de peruca preta, o nome falso de Gabrielle Barcelli e a inscrição ''Gastrônomia'' - com erro de acentuação - , indicando uma suposta profissão. Jordélia Pereira usou identidade falsa para tentar fazer reserva em hotel de Imperatriz (MA) Divulgação/Polícia Civil Acusada ainda não foi julgada Um ano após o caso, Jordélia Pereira Barbosa ainda não foi julgada, mas está presa desde abril de 2025. O Tribunal de Justiça do Maranhão (TJ-MA) aceitou a denúncia e, em setembro do mesmo ano, decidiu que ela deveria ir a júri popular. O julgamento, porém, ainda não ocorreu porque a defesa recorreu da decisão. Segundo a Corregedoria Geral da Justiça do Maranhão, o processo segue em análise no Tribunal de Justiça. Entre os pedidos, estão a anulação da decisão, a retirada do caso do júri ou a reclassificação do crime. Ao g1, Mirian afirmou que, até o momento, não foi informada sobre a data do julgamento. Ela ressalta que a sensação de justiça só será completa com a realização do júri e a definição da sentença. “A Justiça foi muito rápida e competente no início. A prisão aconteceu em poucos dias, o inquérito foi concluído rapidamente, com provas reunidas. Mas a sensação de justiça só vai se completar com o julgamento e a sentença. É o que eu espero, o que minha família espera e o que a sociedade aguarda”, finaliza Mirian.

FONTE: https://g1.globo.com/ma/maranhao/noticia/2026/04/22/mae-que-perdeu-filhos-envenenados-por-ovo-de-pascoa-no-ma-ainda-tenta-recomecar-um-ano-apos-tragedia-ficou-um-vazio.ghtml


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